Uma noite na Bienal

Uma noite na Bienal

É de conhecimento de todos os moradores de Cachoeiro de Itapemirim e região que de dois em dois anos acontece a Bienal Rubem Braga. É um evento marcante e já existe desde minha época de Faculdade, vem comigo desvendar o causo “Uma noite na Bienal”.

Eu e mais alguns amigos fomos convidados a comparecer a Bienal num determinado dia da semana. Esse dia a convidada seria Viviane Mosé. Uma filósofa brasileira muito inteligente e que na época tinha um quadro no Fantástico – Rede Globo, que fazia muito sucesso.

Bom, na ocasião eu tinha que me preparar para a Bienal, mas como todo estudante bolsista o dinheiro era pouco, afinal você tinha que dividir a grana do salgado com a apostila que o professor mandaria você ler e nem usaria futuramente.  Comprar roupa nova para ir ao evento não era uma realidade.

Um dia antes de ir ao evento comecei uma dieta forçada, do tipo que você passa fome mesmo ( Não faça isso em casa), mas a intenção era boa – Eu tinha que entrar nas roupas “velhas” “usadas” que eu já tinha de outros carnavais. Atualmente isso seria chamado de MODA, mas naquela época era vergonha mesmo. Mas você acha que fiquei intimidado com o fato de ter que reciclar algumas peças do guarda-roupa? Jamais querido. O importante era comparecer ao local do evento.

A alta sociedade estaria presente no local e como um bom sonhador ir a Bienal era provar do gosto da sociedade intelectual burguesa da época.

1ª Parte

O transtorno está para começar.

No dia do Evento pedi folga no trabalho para cortar o cabelo e me arrumar. Até porque para homem é mais fácil conseguir ficar elegante com poucas mudanças.

Em casa provei várias roupas – nada cabia. Então tive a brilhante ideia de combinar algumas peças usadas.

Para dar efeito de Terno coloquei um casaco preto de frio (tipo moletom) – ele imitava um blazer (Na minha cabeça. Eu sei!).

Na parte debaixo coloquei uma blusa de botão simples. O fato que mais chamava atenção era: não cabia direito em mim. Quando eu estava em pé os botões ficavam casados…. O problema era que eu não podia sentar de jeito nenhum… Sentar era um martírio total… Afinal, caso isso ocorresse os botões sairiam, desprenderiam e a blusa estouraria.

2ª Parte:

Após se vestir fui ao evento como nada tivesse acontecido!

Fui para o evento elegantemente – Entrei no ônibus da Faculdade e segui com a blusa de baixo aberta e com o casaco de frio por cima fechado. Ninguém percebia nada. E ainda recebia vários elogios.

Mas chegando à cidade do evento o calor foi subindo – o frio foi acabando e minha testa mostrava a minha preocupação. Era muito suor descendo, mas eu não podia tirar o casaco, ele tapava meu corpo e  todo mundo descobriria que a blusa não abotoava.  Era meu fim ?!

Quando cheguei ao evento corri para o banheiro, tranquei-me naquelas compartições com vaso sanitário e arranquei o casaco. Sequei-me todinho com papel higiênico.

Abotoei a blusa todinha.  Do pescoço até a metade da barriga… Era só até a metade da barriga que cabia… A barriga muito grande não permitia tamanha ousadia de levar os botões até o final.

Suei, Suei e suei ainda mais com a preocupação… Mas cheguei ao local do evento e vi que tinha ar condicionado – tranquilidade total naquele momento, mas em minha cabeça o local seria como num teatro – as cadeiras emparelhadas e cada pessoa poderia escolher seu assento e curtir o momento.

Triste fim para mim… Era tudo separado com mesas, cadeiras e pra piorar tinha os nomes dos convidados. Parecia recepção de casamento.

O começo da minha morte naquele momento. Voltei a suar. Nunca suei tanto na minha vida. Nem na academia – Me sentia debaixo de um chuveiro… Toda a água do mundo em mim!

3ª Parte

O sofrimento, o suor e o casaco!

 

Minha amiga então disse:

– Tire esse casaco! Você está suando muito. Faça como todo mundo. Tire-o e coloque-o sobre a cadeira…

Naquele momento eu até queria fazer isso, mas lembrei-me de que não seria possível – Como tirar o casaco? A blusa de dentro estava muito apertada, os botões sofrendo sem espaço, com o corpinho pela metade… Era o fim para mim se tirasse o casaco. O que seria de mim com a Sociedade Cachoeirense?

Não teve jeito – Sentei ao poucos e mantive a postura. Tudo parecia normal. Mas pobre não sabe sentar na postura. Uma hora a coluna chama a atenção e começa a doer… Pobre senta emborcado, parecendo que a qualquer momento vai deitar sobre a mesa… Isso era minha realidade naquele momento.

4ª Parte

A apresentação,  a dieta e os salgadinhos! Que loucura!

Viviane Mosé fez uma lindíssima apresentação e ao final o Buffett trouxe os pratinhos com salgadinhos… Lembram-se da minha dieta? Eu estava sem comer a dias… Então você imagine a quantidade de bolinho que eu comi naquele evento? Vários!! Coxinhas, quibes, enroladinhos e pra abaixar o calor; refrigerante.

Mas não teve jeito, minha camisa já mostraria o sinal do empanzinamento. O jeito foi soltar a respiração e comer a vontade. E nisso a barriga foi crescendo, crescendo… Fui sentindo um alívio e a blusa ficando mais larga em mim… Era o que eu mais temia.

Os botões revoltados foram arrebentando dentro de mim, como num efeito dominó, eles fizeram (traaaaaaaaaaa). Minha cara de desespero segurando uma coxinha e meu pensamento muito veloz me joga aos olhos – Correr. Largar a coxinha ou  permanecer no local ? A dúvida pairava sobre o ar!!! Era um momento de tensão, mas o sorriso prontinho para qualquer um presente! Afinal, eu tinha que fazer bonito diante da comunidade Cachoeirense!

 

Ao final de todo aquele movimento de botões, coxinhas e pensamento – voltei a mim e percebi que só sobraram os dois últimos botões; o do pescoço e um mais abaixo – intactos. Mas a sensação de conforto era maior que a preocupação de tirar o casaco. Neste momento onde tudo parecia perdido eu fiz o desentendido e continuei a conversar tranquilamente com todos. Fiquei até mais inteligente!

5ª Parte

O autógrafo e a foto.

Tudo estava perto de terminar bem, ou melhor, sem muitos constrangimentos! Terminamos de comer e fomos para fila de autógrafos – mas como havia dito – não tínhamos dinheiro. Enquanto toda a sociedade comprava seus livros e entrava na fila para Vivane Mosé autografar, EU já estava lá esperando minha vez para tirar uma foto – Era a única forma de guardar aquele momento, mesmo a máquina fotográfica não sendo minha.

6ª parte – Final.

O calor, a corrida e o ônibus.

Sairia perfeitamente!  Se já não marcasse 22 horas e 10 minutos no relógio.  Lembram que eu falei que fui de ônibus ? Pois é! O horário de partida era às 22h.

Estávamos dez minutos atrasados para voltarmos ao ônibus e irmos embora! O desespero novamente tomava conta de nossos rostos. A elegância já não existia, a vontade de entrar para a High Society tinha ido embora – o único desejo do momento era saber que chegaríamos em casa! Saímos correndo do evento, mas alguma alma caridosa dentro do ônibus havia dito que estávamos no Jaraguar Tênis Clube, então o motorista resolveu ir até lá… Imaginem um ônibus enorme indo nos buscar??? Pra muito constrangedor, feio e fora de moda – para nós a vontade de sentar e ir para casa! E como tudo sempre acaba bem… Não poderia terminar essa história uma bela frase de efeito! “Final Feliz”.

E aí seguidor – O que achou da história de hoje ? Deixe seu comentário! Quer ter sua história contada em nosso BLOG ? Mande um e-mail para nossa produção que entraremos em contato!

ATÉ BREVE!!!!

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2 comentários em “Uma noite na Bienal

  • 22 de outubro de 2016 em 18:35 06Sat, 22 Oct 2016 18:35:10 +000010.
    Permalink

    Olá. João Gabriel!
    Estou ainda rindo com sua aventura na Bienal…que inveja por você ter conhecido Viviane Mosé. Curto muito ela!
    O seu estilo de escrever é agradável e envolvente, parabéns! Li o texto todo e também sobre você e compartilhei.
    Um abraço.

    Resposta
    • 22 de outubro de 2016 em 22:06 10Sat, 22 Oct 2016 22:06:22 +000022.
      Permalink

      Sandra Regina –
      Muito obrigado pela visita. Amei saber que você leu essa história que vive nos tempos de Faculdade! Também obrigado por falar da escrita! Eu gosto de escrever como se tivesse contando pra pessoa – acho que isso dá mais emoção!! Sempre peço desculpas por alguns “erros”, mas são propositais. A intenção é causar com as palavras. Beijos querida e abraços!!!!!

      Resposta

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